Ações financiadas pela Faperj e PronaSolos deram suporte à proposta
José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos (RJ), ressalta que a proposta de recuperação e retomada da atividade agropecuária na região norte do estado do Rio de Janeiro foi construída a partir do suporte de três frentes de trabalho, duas delas financiadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
A primeira é um projeto agronômico, com foco na adaptação de cultivares de soja para a região, para dar suporte técnico e segurança ao produtor rural no que diz respeito a como e em qual período do ano cultivar a cultura da soja, quais cultivares utilizar e como combinar o plantio da soja com o milho e com a pastagem.
A partir da análise de mapas georreferenciados de solos do estado do Rio de Janeiro, mapa de elevação do terreno e mapas de uso e cobertura de solo, identificou-se cerca de 320 mil hectares como potenciais para culturas de grãos como a soja e o milho no norte fluminense. Para as estimativas foram excluídas áreas com mais de 15% de declividade, unidades de conservação, áreas com vegetação florestal nativa e áreas urbanas.
A outra iniciativa financiada pela Faperj é a que está estruturando a criação do Polo de Inovação Tecnológica do Agronegócio, uma proposta de instalação de um ecossistema de inovação aberta no Rio de Janeiro que permitirá a interação e a cooperação entre iniciativas empreendedoras privadas, instituições de ciência e tecnologia, universidades e demais instituições públicas.
“Podemos considerar essa a primeira ação prática do polo do agronegócio, que traz não somente a questão da produção de grãos, mas a inovação em toda a cadeia. O fato de nós recuperarmos a produção agrícola na região norte trará também investimento da indústria de processamento de grãos, como a de ração animal, para poder suprir a demanda da produção de aves, principalmente aqui no Rio de Janeiro, que atualmente importa todo o milho, a soja e a ração para esse tipo de atividade”, destaca Polidoro.
O pesquisador aponta ainda outros benefícios potenciais que a produção de soja no norte fluminense pode gerar ao estado, levando em consideração o corredor de importação e exportação de produtos agrícolas que o Porto do Açu e outros portos do Rio de Janeiro estão implementando.
“Será um grande bolsão de importação de fertilizantes e de exportação de grãos que vêm de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. E poderá também escoar a soja produzida aqui no estado”, assinala Polidoro. Ele destaca ainda o potencial de investimentos na produção industrial de óleo e farelo de soja, com a safra que irá passar pela região, e também com a fabricação de fertilizantes.
“Já existem estudos para a implantação de indústrias desses insumos na região. Com tudo isso, o resultado esperado para os próximos cinco anos é a geração de emprego e de renda, com desenvolvimento social e econômico aliado à sustentabilidade ambiental.”
A terceira frente que deu suporte à formulação da proposta foi o Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos no Brasil (PronaSolos), liderado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O programa tem a missão de ampliar o conhecimento sobre os solos brasileiros, envolvendo levantamentos de dados a campo, documentação, sistematização das informações e incrementos na realização de inventários e interpretação dos dados de solos brasileiros.
“Além de mostrar a aptidão agrícola das terras, o PronaSolos ajudou a dar uma visão estratégica do tamanho da área que pode ser cultivada e a quantidade produzida por hectare, além da capacidade de expansão da cultura da soja, não apenas no Rio de Janeiro, mas também no Espírito Santo”, acrescenta Polidoro.
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