Brasil – Pecuária – Fórmula do lucro do confinamento vai além de custo de produção e venda do boi; entenda
Professor Dante Lanna, da Esalq-USP, ponderou que pecuarista deve inserir benefícios indiretos do sistema de engorda no cálculo para saber se vale a pena confinar
O Giro do Boi levou ao ar nesta terça, dia 28, entrevista com o engenheiro agrônomo, mestre em nutrição animal e pastagens e Ph.D em bioquímica nutricional Dante Pazzanese Duarte Lanna, professor e pesquisador do Departamento de Zootecnia da Esalq-USP. Sua participação foi para comentar a homenagem recebida em edição recente da revista DBO que escolheu os profissionais que mais se destacaram e contribuíram para o crescimento do confinamento brasileiro.
“Nós entendemos que em quase todo país você tem o ciclo de produção de pastagem e essa estacionalidade da produção do pasto. O pasto é 95% da nutrição animal e nós precisamos corrigir essa estacionalidade. Há 30 anos a gente mostrava que o confinamento era uma ferramenta muito interessante para corrigir essa estacionalidade e fizemos grandes avanços com o uso do confinamento, em aumentar a eficiência e isso foi muito bom. Mais recentemente, nos últimos dez anos, por exemplo, aqui na Fazenda Santa Helena, nós temos junto do confinamento a integração lavoura-pecuária e a integração tem sido muito eficiente, muito interessante”, comentou Dante.
Entre suas principais contribuições para o avanço do confinamento no Brasil esteve o desenvolvimento e lançamento do programa RLM, ou Ração de Lucro Máximo. “A primeira (contribuição) foi desenvolver o software Ração de Lucro Máximo, um software de formulação que estima ganho, que otimiza dietas e hoje nós temos quase 2.000 cópias, licenças do software com as maiores e melhores empresas de nutrição do Brasil”, apontou o agrônomo, que estima que atualmente até dez milhões de cabeças têm suas rações e suplementos de sistemas intensivos de engorda formulados pelo software.
Em sua participação no Giro do Boi, o especialista respondeu como calcular os benefícios que o confinamento traz para dentro da porteira mesmo em um momento difícil como este, com alta histórica dos insumos.
“Muitas pessoas querem fazer a conta somente custo de produção e venda da arroba. E isso é parte do lucro do confinamento. O confinamento também tem um rendimento de carcaça, que as pessoas muitas vezes têm dificuldade de calcular, […] mas a questão mais importante é a eficiência do sistema inteiro, do pasto, da correção dos problemas que você tem com confinamento feito neste período de entressafra, ainda mais com essa seca muito forte, com essas geadas em grande parte do Brasil. Você tem uma melhora da estabilidade das suas pastagens, você melhora a nutrição daqueles animais que ficaram no pasto porque você retirou animais e, com tudo isso, o confinamento se torna, mesmo quando você não ganha dinheiro exatamente na parte de transformar milho e farelo de soja em carne, mas no giro inteiro, como sistema. Você sem dúvida ganha dinheiro”, analisou.
“Agora é realmente o momento de ter eficiência. Tem que formular dietas corretamente, tem que procurar subprodutos bons e baratos para baratear o custo da sua dieta, tem que fazer o seu volumoso com alta eficiência, buscar trazer um agrônomo, usar híbridos altamente produtivos. Tudo isso tem que ser feito de forma a baratear o custo da dieta para poder enfrentar esse desafio que é hoje milho caro, farelo de soja caro, todo esses grãos em altas históricas, e o boi, que está muito bom, mas que deu uma caidinha agora nesse final de entressafra”, ponderou Dante Lanna.
No vídeo a seguir é possível assistir a entrevista completa com o engenheiro agrônomo, mestre em nutrição animal e pastagens e Ph.D em bioquímica nutricional Dante Pazzanese Duarte Lanna: