
Tecnologia beneficia usinas flex e reduz emissão de carbono
A tecnologia do consórcio também é uma excelente opção para as usinas flex, nas quais o milho é utilizado para a produção de etanol. Estudos de avaliação de desempenho ambiental e econômico entregues como base para financiamento (BNDES) de usinas integradas com essas duas culturas demostraram que esse tipo de arranjo apresenta bom desempenho tanto econômico quanto ambiental. A nova política de biocombustíveis (RenovaBio) sinaliza o apoio e o incentivo por parte do governo à essa integração.
A partir dela, é possível aos produtores mais eficientes e menos emissores serem beneficiados com créditos de descarbonização, denominados CBIOs, quando se evita a emissão de uma tonelada de gás carbônico (CO2) na produção de um determinado biocombustível. Até 10 de dezembro de 2020, o valor médio de comercialização de um CBIO era de R$44,58 (fonte: B3, do Ministério de Minas e Energia – MME), o que significa uma renda extra aos produtores.
“Como o etanol é um dos bicombustíveis mais produzidos no Brasil e sua fonte pode ser de cana ou milho, o produtor que conseguir cultivar numa mesma área as duas culturas pode se beneficiar dessa política. Para isso, ele deve ter sua cultura agrícola elegível, de forma a determinar um volume de biocombustível apto a participar da política, além de calcular a sua nota de eficiência energético-ambiental (NEEA), usando a ferramenta denominada RenovaCalc. Quanto maiores a nota e o volume elegível, maior será o acesso aos CBIOs”, explica a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna/SP) Nilza Patrícia.
De acordo com os Painéis Dinâmicos do Renovabio, a NEEA, média proveniente das usinas exclusivas de cana (E1GC), é de 59,93 g CO2eq/MJ (índice que mede a emissão de GEE por unidade de energia) por etanol hidratado, enquanto a NEEA média de uma usina Flex (E1GFLEX), que processa cana solteira e milho solteiro, é de 62,04 g CO2eq/MJ de etanol hidratado. Ou seja, a associação da cana com o milho na geração de biocombustíveis pode evitar 3,5% de emissões para as condições atuais. “Com a ocupação conjunta da terra possivelmente serão reduzidas distâncias de transporte e poderá haver aproveitamento de insumos, contribuindo ainda mais para a melhoria no desempenho ambiental do etanol”, acredita a especialista.
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