Brasil – Agricultura – Governo federal não deve prorrogar parcelas das dívidas dos agricultores atingidos pela estiagem
Pedido é para parcelar dívidas por 10 anos após perda de rentabilidade com estiagem / Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini/Divulgação/JC.
A reunião entre Ministério da Economia e representantes dos pequenos agricultores de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, frustrou o setor, disse vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Eugênio Zanatti.
A expectativa das entidades era de mitigar o impacto da seca nas produções, principalmente, de grãos. Segundo a Fetag, são necessários R$ 2,7 bilhões para possibilitar aos pequenos produtores o parcelamento por 10 anos do custeio e do investimento empenhados na safra 2021/2022. Ainda, outros R$ 300 milhões foram solicitados de caráter emergencial para outras medidas de apoio aos agricultores.
Os produtores esperavam que, após mais de 60 dias desde o pedido de ajuda após os primeiros danos causados pela forte estiagem nas lavouras do Sul do País, o governo federal apresentasse um plano concreto para amenizar as perdas da agricultura familiar. Não foi o que ocorreu.
“Vínhamos negociando esta pauta desde o ano passado. A cada dia que passa, a estiagem se agrava e o governo federal não apresenta nada de concreto. Nos informaram que, para haver qualquer medida, eles precisam primeiro tapar um déficit de R$ 2,9 bilhões no crédito agrícola com bancos”, relata Eugênio Zanatti.
Essa dívida da União com bancos seria oriunda do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O déficit, segundo o que apontou às entidades o subsecretário de política agrícola do Ministério da Economia, Rogério Boueri, impediria o socorro financeiro à agricultura familiar do Sul.
Assim, após a frustração das entidades com o Poder Executivo brasileiro, o caminho será o Congresso Nacional: As três federações do Sul vão se reunir para reivindicar ao relator do orçamento, deputado Hugo Leal (RJ), a liberar a verba. O orçamento tem R$ 16,5 bilhões, eles têm esse recurso. A intenção é sensibilizar as bancadas do Sul para que se pegue parte desse orçamento para aplicar em medidas de apoio”, afirma o presidente da Fetag.
Brasília, até agora, ainda não apresentou soluções definitivas, concretas são as perdas causadas pela falta de chuvas e a onda de calor que afeta a região Sul do País.
“A gente vê toda essa questão com muita preocupação. Sabemos que não é do dia para a noite que se resolve, mas é uma medida de emergência. Os produtores têm parcelas de investimento e custeio vencendo e a maioria não tem de onde arrumar esses recursos”, relata o vice-presidente da Fetag. A gente esperava que eles já tivessem encontrado uma solução nesse prazo de 60 dias, mas vemos que eles não têm nada definido”, lamenta Zanetti.