
Método reduz em um terço o valor do teste e tempo de trabalho
A indexação é o processo que demonstra a presença ou não de uma virose em uma planta e é realizada em laboratório antes de o material ser multiplicado, garantido a sanidade das mudas. Na Embrapa Mandioca e Fruticultura, a detecção da presença do DNA/RNA viral é feita pela técnica da reação em cadeia da polimerase (PCR) em tempo real (RT-qPCR), a mesma utilizada no chamado “teste ouro” para detecção do novo coronavírus e de tantas outras doenças causadas por vírus em humanos.
Segundo Andrade, a murcha é causada pelo complexo viral denominado Pineapple Mealybug Wilt-Associated Virus (PMWaV), transmitido pela cochonilha Dysmicoccus brevipes. O complexo é formado por três espécies diferentes de vírus, mas que compartilham regiões do genoma que são muito parecidas. “A posição dos genes e até mesmo a sequência de alguns deles também são parecidas. Então, buscamos todas as sequências disponíveis até aquele momento e fizemos um alinhamento entre elas, colocando uma sequência embaixo da outra e buscamos regiões mais conservadas entre elas, ou seja trechos do genoma em que as sequências fossem idênticas, ou com alguma variação pontual”, detalha.
No estudo dessas sequências, foram identificadas duas regiões com alta identidade entre elas. Nelas, o pesquisador desenhou os oligonucleotídeos chamados de degenerados. “Parte da sequência do degenerado é igual para todos os vírus e parte é variável. Então, consegue-se detectar os três vírus na amostra, o que reduz para 1/3 o valor do teste e o tempo de trabalho. Ou seja, no lugar de fazer três reações [testes] e usar três microtubos, entre outros componentes, pode-se fazer o processo somente uma vez. Se o resultado for positivo, já se sabe que aquela planta está infectada e, em muitos casos, essa informação é suficiente”, afirma Andrade. “Com esse kit, a economia de material, recursos financeiros e tempo num processo de indexação em larga escala é excelente”, ressalta.
Segundo o pesquisador, as enzimas e os reagentes do kit já estão disponíveis no mercado. “O que varia exatamente é esse iniciador. Ele é o diferencial da reação, que dá a especificidade e que vai indicar o que vai ser detectado. Se trocar o iniciador detecta-se outra coisa. Ele só vai se ligar na sequência que for idêntica ou complementar a ela, garantindo a detecção exclusiva de vírus do abacaxi”, pontua.
|