Do mesmo modo, Felipini reprovou um comportamento comum em alguns produtores. “Normalmente as decisões são tomadas pelo modismo. […] E com essa sequência de erros, ele acaba não tendo o resultado esperado. Ou tem um resultado incalculável. Torna-se uma roleta russa”, acrescentou.
Dessa forma, o zootecnista detalhou o modelo de gestão sugerido pela Embrapa e que a Alcance Planejamento Rural também preconiza. “A tecnologia low input é aquela que o produtor não gasta nada para colocar em prática. Ele vai gastar fósforo no cérebro. Talvez ele invista um pouco na consultoria para treiná-lo”, comentou. Confira no quadro a seguir:

Juntamente com o modelo de gestão, Felipini ilustrou algumas situações práticas que podem ser melhoradas com o bom e velho olho do dono. Primeiramente, o zootecnista ressaltou que caso o gado esteja formando fila no cocho para o consumo do suplemento, o espaçamento não é o correto.
Além disso, ao servir água para os animais em açudes ou outras formas de aguada natural, ou mesmo usar pilhetas, mas não limpar com a frequência recomendada, o pecuarista está deixando mais dinheiro na mesa. Felipini ilustrou sua orientação com um trabalho divulgado em 2006 em que o pesquisador apontou que os bovinos podem ganhar 29% a mais de peso ao consumir água de qualidade em bebedouros artificiais.
Os quadros a seguir que Felipini comentou em sua entrevista exemplificam algumas decisões que podem fazer a diferença entre uma fazenda lucrativa e uma que dá prejuízo de acordo com a cobertura de pastagem.
– Comprar animais;
– Retardar a venda de animais;
– Fazer silagem ou feno;
– Roçar pastos passados;
– Reduzir adubação;
– Aumentar pressão de pastejo.
– Vendar animais;
– Antecipar a venda de animais;
– Suplementar;
– Evitar reposição;
– Aumentar adubação;
– Diminuir pressão de pastejo.
Felipini também ilustrou as mudanças pelas quais uma fazenda passa conforme o manejo de pasto.
– Capim tombado;
– Seca dois meses mais cedo;
– Ataque intenso de cigarrinha;
– Menor aproveitamento dos pastos;
– Desperdício de alimento;
– Aumento da morte de pasto;
– Menor ganho de peso;
– Menor controle dos estoques de pasto.
– Capim em pé;
– Mantém verde por mais tempo;
– Controle efetivo de cigarrinha devido menor quantidade de palha;
– Maior aproveitamento dos pastos;
– Aumento da renda e do lucro;
– Perenização dos pastos;
– Maior ganho de peso;
– Melhor controle dos estoques de pasto.
As dicas servem sobretudo para amenizar os problemas do período que o produtor vai enfrentar a partir de agora, com o fim das chuvas. “É o momento de ele recalcular o estoque de alimento que ele tem. Tanto alimento para cocho como alimento a pasto. Estoque de pasto. Então ele precisa ajustar isso. Não adianta ele entrar na seca sem nada de alimento porque ele não vai conseguir nem suplementar o gado. Assim, ele coloca em risco todo aquele estoque de carne, de arrobas que ele já acumulou. Portanto, esse é o momento de fazer um balanço entre o que você tem de lotação e o que você tem de alimento. E ajustar isso. Antecipar vendas, postergar vendas de acordo com seu estoque de comida no projeto”, concluiu.
Por fim, assista a entrevista completa com Tiago Felipini sobre as decisões que podem tirar a fazenda do vermelho com baixo custo: