Custo da cesta básica dispara em setembro: Manaus tem alta de 16,26%.
Os dados referem-se ao levantamento mensal do custo da cesta básica Neogrid & FGV IBRE realizado em oito capitais brasileiras, com base nos preços médios de 18 itens essenciais de consumo doméstico.
Alta generalizada nas capitais marca o mês de setembro;
Curitiba e Belo Horizonte também registram fortes aumentos;
Rio mantém cesta mais cara e preocupa consumidor com tendência de alta;
São Paulo, novembro de 2025 – A cidade do Rio de Janeiro segue liderando o ranking com o maior custo da cesta básica entre as capitais pesquisadas. Após três meses consecutivos de queda, os preços voltaram a subir com força em setembro, com alta de 5,04% — passando de R$ 945,92 para R$ 993,64. No acumulado dos últimos seis meses, a capital fluminense registra elevação de 2,08% (de R$ 973,43 para R$ 993,64), o que tende a preocupar os consumidores locais com a aproximação do fim do ano e o aumento da demanda sazonal.
O maior destaque do mês, no entanto, foi Manaus, que registrou uma aceleração expressiva de dois dígitos: alta de 16,26%, saltando de R$ 726,76 em agosto para R$ 844,93 em setembro. Com esse movimento, a capital amazonense acumula variação de 15,29% no semestre (de R$ 732,90 para R$ 844,93), indicando uma pressão acentuada sobre o orçamento das famílias, especialmente após um período de relativa estabilidade.
Curitiba também apresentou aumento relevante, com alta de 8,74% em setembro. Em termos nominais, foi a primeira vez em 15 meses que o custo da cesta básica na capital paranaense ultrapassou a marca dos R$ 800, passando de R$ 737,58 para R$ 802,07. No acumulado semestral, a cidade registra elevação de 4,41% (de R$ 768,21 para R$ 802,07), revertendo parcialmente a tendência de queda observada no primeiro semestre.
Em Belo Horizonte, a cesta básica encerrou setembro com avanço de 3,98%, passando de R$ 678,05 para R$ 705,02, valor semelhante ao registrado no início do ano. No acumulado dos últimos seis meses, a alta foi de 2,27% (de R$ 689,37 para R$ 705,02), indicando uma retomada gradual dos preços após um período de retração moderada.
Fortaleza também registrou elevação no mês, com alta de 2,07% (de R$ 844,76 para R$ 862,24). No semestre, a variação acumulada foi de 1,09% (de R$ 852,97 para R$ 862,24), sinalizando uma pressão moderada nos preços, ainda que em ritmo menos intenso do que em outras capitais.
São Paulo inverteu a trajetória de quatro meses consecutivos de queda e apresentou alta de 1,11% em setembro, com o custo da cesta passando de R$ 930,24 para R$ 940,56. Ainda assim, a capital paulista acumula queda expressiva de 5,17% no semestre (de R$ 991,80 para R$ 940,56), mantendo-se como uma das capitais com maior alívio no custo dos itens essenciais no período recente.
Salvador foi uma das poucas capitais a registrar queda em setembro. O custo da cesta básica recuou 1,21%, passando de R$ 846,22 para R$ 835,98. No acumulado dos últimos seis meses, a retração chega a 2,22% (de R$ 854,95 para R$ 835,98), reforçando uma tendência de redução contínua nos preços, ainda que com oscilações pontuais ao longo do período.
Brasília manteve o movimento de queda observado nos meses anteriores, registrando novo recuo de 0,43% em setembro (de R$ 810,34 para R$ 806,83). No acumulado do semestre, a capital federal apresenta redução de 4,41% (de R$ 844,01 para R$ 806,83). Essa trajetória confirma a desaceleração dos preços, especialmente após os recuos registrados entre junho e agosto.
Quadro 1 – Preços médios da cesta de consumo básica em setembro/25, por capital
Quadro 2 – Variação acumulada da cesta de consumo básica em setembro/25, por capital
Itens que mais pressionam os preços da cesta básica no semestre
Dos 18 itens que compõem a cesta básica, fubá e a margarina foram os principais responsáveis pela pressão sobre os preços em setembro. Em algumas capitais, as variações acumuladas no semestre chegaram a dois dígitos, com destaque para os alimentos processados e derivados de grãos, especialmente milho e trigo — categorias que vêm enfrentando desafios de oferta desde o início do ano.
Belo Horizonte: margarina (18,00%), fubá (12,98%) e feijão (9,12%);
Brasília: pão (13,72%) e bovino (6,26%);
Rio de Janeiro: margarina (22,35%), fubá (8,37%) e bovino (8,35%);
Curitiba: óleo de soja (9,77%) e margarina (8,35%);
Fortaleza: margarina (11,54%);
Manaus: margarina (13,50%) e frango (7,79%);
Salvador: margarina (12,69%) e fubá e farinha de milho (8,07%);
São Paulo: bovino (13,25%) e margarina (7,23%).
Fatores que pressionam a alta de preços em setembro
O fubá, a farinha de milho e outros derivados ainda refletem os efeitos do primeiro semestre de 2025, quando a produção foi afetada por estoques baixos e problemas climáticos em regiões importantes como Goiás e Mato Grosso. Os preços da carne bovina têm sido impactados por dois fatores principais: a demanda externa elevada, que eleva as exportações e reduz a oferta interna, especialmente com o câmbio favorável; e os custos de produção, incluindo alimentação do gado, insumos e transporte. Já os derivados do leite, como a manteiga, têm ficado mais caros não apenas pela pressão do setor pecuário, mas também pelo aumento dos custos de energia, transporte e embalagens.
Quadro 3 – Maiores variações de preços da cesta básica em setembro/2025, por capital.
Queda de preços
Apesar da retomada da inflação em boa parte dos produtos da cesta básica em setembro, alguns itens apresentaram quedas expressivas nos preços, o que ajudou a conter aumentos ainda maiores. É o caso do arroz, do feijão, dos legumes e dos ovos, que registraram recuos na maioria das capitais analisadas.
No acumulado dos últimos seis meses, as maiores quedas foram observadas nos seguintes locais:
Arroz: São Paulo (-13,02%), Brasília (-12,19%) e Manaus (-10,66%);
Feijão: Curitiba (-12,01%) e Rio de Janeiro (-10,19%);
Legumes: Curitiba (-28,11%) e Rio de Janeiro (-11,18%);
Ovos de galinha: Belo Horizonte (-12,10%) e São Paulo (-10,31%).
Quadro 4 – Menores variações de preços da cesta básica em setembro/2025, por capital.
Cesta ampliada
A cesta de consumo ampliada, que reúne os 18 itens da cesta básica mais 15 produtos de higiene e limpeza, registrou alta generalizada em setembro na maior parte das capitais pesquisadas. Manaus liderou com aumento expressivo de 18,00%, seguida por Curitiba (11,32%), Rio de Janeiro (5,96%) e Belo Horizonte (4,27%). Por outro lado, Salvador manteve os preços praticamente estáveis, com variação de -0,02%.
Quadro 5 – Preços médios da cesta de consumo ampliada em setembro/25, por capital.
No acumulado dos últimos seis meses, os preços da cesta de consumo ampliada avançaram na maioria das capitais, com exceção de São Paulo:
Em alta: Manaus (22,53%), Curitiba (10,67%), Belo Horizonte (6,20%), Rio de Janeiro (4,57%), Fortaleza (3,03%), Salvador (0,89%) e Brasília (0,82%).
Em queda: São Paulo (-4,97%).
Itens da cesta ampliada com maiores aumentos
Entre os 33 produtos analisados, destacaram-se:
Achocolatado: Curitiba (5,25%), Fortaleza (4,75%) e Rio de Janeiro (4,46%);
Batata congelada: Curitiba (4,83%), Rio de Janeiro (4,43%); Fortaleza (3,28%)
Hambúrguer: Manaus (9,64%); São Paulo (3,06%); Rio de Janeiro (3,02%);
Amaciantes: Manaus (4,21%); Rio de Janeiro (3,55%); Curitiba (3,25%), Salvador (3,24%).
Esses aumentos refletem, em parte, o impacto dos custos maiores de ingredientes, embalagens e transporte, que seguem pressionando os preços dos produtos industrializados e de higiene.
Quadro 6 – Maiores variações de preços da cesta ampliada em setembro/2025, por capital.
Itens que apresentaram estabilidade nos preços
Em setembro, cinco produtos da cesta ampliada apresentaram estabilidade ou recuos de preços, ajudando a aliviar o orçamento das famílias. As verduras se destacaram por quedas em várias capitais, como Curitiba (-2,70%), Salvador (-1,26%) e São Paulo (-1,50%). O azeite de oliva registrou comportamento misto, com redução em Salvador (-2,79%). Outros itens, como leite em pó, iogurte e água mineral, também tiveram variações moderadas, mantendo-se relativamente estáveis no período.
Quadro 7 – Itens da cesta ampliada com estabilidade de preços em setembro/2025, por capital.
Sobre a Cesta de Consumo NEOGRID & FGV IBRE
A Neogrid e o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas – FGV IBRE (https://portalibre.fgv.br/) se uniram para lançar a plataforma Cesta de Consumo. O serviço monitora a variação de preço de duas cestas de consumo típicas brasileiras pela análise da leitura mensal de mais de 35 milhões de notas fiscais: a Cesta de Consumo Básica, que conta com 22 alimentos básicos com maior presença nas compras do shopper, e a Cesta de Consumo Ampliada, contendo mais de 50 produtos de consumo, incluindo bebidas e itens de limpeza, higiene e beleza.
A plataforma, que pode ser acessada no Painel de Insights Neogrid no link https://hub.neogrid.com/painel-insights-ecossistema-neogrid monitora a variação e o comportamento dos preços nas oito maiores capitais brasileiras em população – Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, e os produtos e quantidades analisados variam conforme os hábitos de consumo locais.
Sobre a Neogrid Neogrid é um ecossistema de soluções que transforma dados em insights e tecnologia em poder de ação para aumentar giro de estoque, reduzir ruptura, fortalecendo a colaboração entre indústria, varejo e distribuidor. Com estratégia de transformação guiada pela Inteligência Artificial – e foco total no cliente –, atuamos para que toda a cadeia de consumo e de abastecimento opere de forma integrada, sem faltas e sem excessos, aumentando a disponibilidade de produtos de maneira mais eficiente, sustentável e rentável.