19 jan de 2026
Por que atrasar a entrada das novilhas na estação de monta é um bom negócio?

Especialistas indicam a escala ideal das categorias de fêmeas na IATF e o porquê há fazendas que estão comprometendo sua própria taxa de fertilidade

Chegou o primeiro dia da estação de monta (EM) na sua fazenda. Com a equipe a postos, curral preparado e diferentes categorias de fêmeas para serem inseminadas, por onde você deve começar?

Para José Luiz Moraes Vasconcelos (Zequinha), professor aposentado da Unesp-Botucatu (SP) e um dos maiores especialistas em reprodução bovina do Brasil, essa pergunta pode ser respondida olhando para o retrovisor.

“Você tem primípara parida há 30 e a 90 dias na sua fazenda? Qual está mais bonita, com melhor escore, no primeiro dia da estação de monta? Se é a de 30 (o que acontece em 90% dos casos), é porque no ano anterior ela emprenhou quando a estação já havia começado, parindo seu bezerro mais próximo da estação de monta atual”, diz Zequinha.

Isso significa que atrasar propositalmente a entrada das novilhas na EM em 30-40 dias é a forma mais simples e barata de empenhar primíparas na fazenda, categoria que, quanto menos dias pós-parto tiver, melhor sua condição corporal e, consequentemente, melhor o resultado na IATF.

“Elas devem ser o primeiro lote a entrar na estação de monta. Não se pode errar na largada da cria. A maioria das nossas primíparas são um problema porque têm condição corporal muito abaixo de 3, que seria o ideal no início do protocolo. Manejá-las corretamente ‘custa zero’ ao produtor e muda a realidade da fazenda”, diz o professor.

A sequência ideal

A estratégia tem sido apresentada a técnicos, veterinários e criadores que participam das diferentes turmas do Centro de Excelência Educacional Select Sires, em Botucatu (SP), junto com a sequência ideal para a entrada das diferentes categorias de fêmeas na estação de monta.

Ela deve começar com as primíparas, seguidas pelas secundíparas (segunda categorias mais sensível da fazenda) e, depois, pelas novilhas, que, ao entrar na estação de monta “atrasadas” têm tempo para ganhar mais peso e maior condição de prenhez, além da chance de melhor reconceber na estação seguinte.

As multíparas e solteiras devem ser as últimas da lista, segundo Zequinha.

Embora a estratégia pareça simples, ela é também disruptiva. A maioria das fazendas colocam as novilhas no primeiro lote da estação. Esse erro explica porque muitos projetos emprenham novilhas em um ano e no seguinte são obrigados a descartá-las porque falharam como primíparas.

“Se você entra no jogo tem que estar apto a jogar”, alerta Zequinha. “Muita gente está matando a melhor genética da fazenda, a mais jovem, por erro bobo de manejo. Eu insemino novilha para virar vaca produtiva, não simplesmente para emprenhá-las. Entende a diferença? O foco deve ser a permanência dela no rebanho”, ensina.

Dados inéditos da Select Sires mostram que novilhas que emprenham na 1ª IATF têm 75% de chance de se manter como primíparas na fazenda, percentual que despenca para 52% quando elas são inseminadas na 4ª IATF.

A recomendação de Izaias Claro Júnior, gerente de programas de corte da Select Sires, é que a fazenda se esforce ao máximo para emprenhar as novilhas nas duas primeiras  inseminações. “Isso aumenta a possibilidade dessa genética permanecer no rebanho”.

O veterinário garante que, a partir da terceira IATF, a novilha sai mais rapidamente do sistema produtivo. Muitas vezes, sem pagar a conta.

Na íntegra desta reportagem, você também confere:

  • Os percentuais de probabilidade das primíparas, secundíparas e multíparas permanecerem no rebanho entre a IATF 1 e a IATF 4.
  • O passo a passo do protocolo de indução da puberdade.
  • A margem perdida em fertilidade pelas fazendas pela ausência de um bom protocolo de indução no pacote reprodutivo.
  • O case da fazenda que ajustou o manejo reprodutivo de 11 mil matrizes com foco nas novilhas e na sua reconcepção.

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Fonte: Portal DBO

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