17 mar de 2026
BB pode restringir novas linhas a produtor em recuperação judicial e acende alerta no agro

Alta nos pedidos no campo e peso do banco no crédito rural ampliam debate sobre planejamento antes de recorrer à Justiça

Os pedidos de recuperação judicial no Brasil cresceram 68,7% em 2023, totalizando 1.405 solicitações, segundo o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian. O avanço ocorre em um momento de pressão sobre o caixa de produtores rurais, diante de juros elevados, oscilação nos preços das commodities e aumento do endividamento acumulado nas últimas safras.

A discussão ganhou força após repercussão de posicionamentos atribuídos ao Banco do Brasil sobre possível restrição na concessão de novas linhas de crédito a produtores que ingressarem com recuperação judicial. O tema ganhou relevância porque o BB é o principal operador de crédito rural do país. No ciclo do Plano Safra 2023/2024, o desembolso total de crédito rural no Brasil alcançou R$ 400,7 bilhões, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Altair Heitor, contador especializado em gestão tributária no agronegócio, é sócio da Palin & Martins, consultoria especializada na recuperação de créditos de ICMS e reorganização financeira de produtores rurais. Ele afirma que o problema não está na legalidade da recuperação judicial, prevista na Lei 11.101/2005, mas na falta de planejamento. “A recuperação é legítima, mas altera a percepção de risco. Sem estruturar o caixa, o produtor pode enfrentar restrições de crédito”, afirma.

Segundo ele, a recuperação judicial não deve ser encarada como solução isolada. “Quando o banco percebe aumento de risco na carteira, tende a endurecer critérios. O produtor precisa apresentar plano consistente, com previsibilidade de caixa e estratégia de pagamento. Caso contrário, o custo do dinheiro sobe ou simplesmente deixa de estar disponível”, diz.

Altair defende que muitos produtores chegam ao pedido judicial sem revisar ativos que poderiam aliviar o caixa. Ele cita como exemplo os créditos acumulados de ICMS. O governo de São Paulo anunciou a liberação de R$ 1,5 bilhão em créditos acumulados para empresas habilitadas, evidenciando o volume de recursos que permanecem represados por falta de organização documental ou orientação técnica.

“Há produtores que ignoram valores relevantes em crédito tributário acumulado. Uma revisão fiscal bem conduzida pode reforçar o caixa e ampliar margem de negociação com credores”, afirma.

O especialista aponta cinco cuidados para preservar crédito e liquidez antes da recuperação judicial

Antes de protocolar o pedido, Altair recomenda uma análise estruturada. Para ele, a recuperação deve ser consequência de um diagnóstico, não o ponto de partida da estratégia.

  • Mapear o passivo total
    Identificar dívidas bancárias, tributárias e com fornecedores é essencial para entender o real tamanho da exposição.

  • Revisar créditos tributários

    Créditos de ICMS e outras oportunidades de compensação podem gerar liquidez sem necessidade de novo endividamento.

  • Avaliar contratos e garantias

    Cláusulas de vencimento antecipado, CPRs e garantias reais podem sofrer impacto com a judicialização.

  • Negociar antes de judicializar

    A tentativa de acordo extrajudicial pode preservar relacionamento com bancos e reduzir impacto reputacional.

  • Contar com assessoria especializada

    Recuperação judicial no agronegócio exige integração entre contabilidade, tributário e estratégia financeira.

“A recuperação judicial pode ser instrumento de reorganização, mas não substitui gestão. Quando há planejamento técnico, o produtor amplia alternativas e reduz o risco de isolamento no mercado de crédito”, conclui.

Sobre Altair Heitor

Altair Heitor é contador, psicólogo e especialista em gestão tributária para o agronegócio, com mais de 22 anos de experiência. Graduado em Ciências Contábeis pela Faculdade Dom Pedro II (SRES) e em Psicologia pela UNORP, possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria, Auditoria e Compliance pela FGV. Atua como CFO da consultoria Palin & Martins, onde lidera projetos de recuperação de crédito tributário, compliance fiscal e reestruturação estratégica para produtores rurais e empresas do agro, ao lado da sócia Jéssica Palin.

Reconhecido como referência nacional em recuperação de crédito de ICMS e especialista em e-CredRural, e-CredAc e crédito acumulado, também ministra mentorias e treinamentos técnicos voltados à capacitação do setor. Sua atuação ganhou destaque com o aumento das exigências fiscais no campo, defendendo a contabilidade como ferramenta estratégica para geração de resultados. Acesse instagram.com/altairheitor

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Sobre a Palin & Martins

Fundada em São José do Rio Preto (SP), a Palin & Martins é uma consultoria especializada em gestão tributária para o agronegócio, com atuação em todo o território nacional. A empresa é referência na recuperação de créditos de ICMS, conformidade fiscal e reestruturação estratégica, com foco em produtores rurais, empresas do agro e exportadores.

Sob a liderança de Altair Heitor, contador e psicólogo com mais de 22 anos de experiência, e da advogada e psicóloga Jéssica Palin Martins, a consultoria já movimentou mais de R$ 629 milhões em créditos tributários para seus clientes.

Reconhecida por aliar precisão técnica, inteligência de dados e abordagem humanizada, a Palin & Martins atua diretamente na conversão de tributos em ativos financeiros legítimos. Além disso, oferece mentorias e treinamentos voltados à capacitação de empresários e profissionais do setor. Acesse palinemartins.com.br

Fontes de pesquisa

Serasa Experian
https://www.serasaexperian.com.br/sala-de-imprensa/indicadores-economicos/pedidos-de-recuperacao-judicial-crescem-68-7-em-2023-aponta-serasa-experian/

Banco do Brasil
https://www.bb.com.br/docs/pub/inst/dwn/Apresentacao_Resultados_4T23.pdf

Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo
https://portal.fazenda.sp.gov.br/Noticias/Paginas/ProAtivo-libera-creditos-acumulados-de-ICMS.aspx

Fonte: ioeste

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