06 abr de 2026
Os 3 pilares para o Brasil chegar ao desmatamento zero

O avanço do setor exigirá conciliar crescimento da produção com eliminação do desmatamento e prevenção de incêndios florestais

O Brasil detém o maior rebanho comercial do mundo, abate 46 milhões de bovinos por ano e é o maior exportador de carne do planeta. Somente na Amazônia Legal a pecuária ocupa mais de 75 milhões de hectares, o que representa mais de 80% de toda a área agropecuária da região.

Ao mesmo tempo, a agropecuária brasileira responde por 29% das emissões nacionais de gases de efeito estufa (GEE), onde a fermentação entérica dos bovinos responde pela maior parte: 64%.

Esses números dão conta do gigantesco desafio que temos adiante para cumprir as metas de redução de emissões, tanto por fermentação entérica como por uso e ocupação do solo, esta responsável por 39,5% do total de emissões em 2022, de acordo com o inventário brasileiro de emissões de GEE.

O fortalecimento da pecuária sustentável (de baixas emissões e livre de desmatamento) será estratégico para o cumprimento das nossas metas climáticas, sobretudo a de desmatamento zero até 2030, assumida pelo governo na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil apresentada na COP-30, em Belém (PA).

O desmatamento zero é resultado de uma equação que agrega três fatores:

1 – Eliminação do desmatamento ilegal;

2 – Redução máxima possível do desmatamento legal;

3 – Impulsionamento econômico da regeneração e recuperação florestal em extensão correspondente, no mínimo, ao desmatamento residual (legal e ilegal).

Assim, o conceito de desmatamento zero implica que, a partir de 2030, a extensão total de cobertura vegetal nativa por bioma se estabilizará ou passará a crescer.

Nesse sentido, o governo federal vem implementando, desde 2023, um conjunto robusto e coordenado de ações. Entre elas, destaco:

  • A melhoria e o aumento (59%, entre 2022 e 2025) na fiscalização (pelo Ibama) e responsabilização jurídica pelos desmatamentos ilegais;

  • A aprovação de processos de destinação para uso sustentável e conservação de mais de 15 milhões de hectares de florestas públicas na fronteira do desmatamento da Amazônia;

  • Aumento significativo (mais de R$ 2 bilhões) nos investimentos com recursos do Fundo Amazônia, pelo BNDES, em projetos na região;

  • Implementação da nova política de manejo integrado do fogo, com investimentos de mais de R$ 2 bilhões, entre 2024 e 2025, nos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados amazônicos, além de ações para prevenção e controle de incêndios na Amazônia, Cerrado e Pantanal;

  • Captação de mais de R$ 30 bilhões, em quatro leilões do Ecoinvest, para melhoria de produtividade agropecuária em áreas já desmatadas e com pastos degradados.

Resultados 

Tome-se como exemplo de resultado a redução do desmatamento nos dois mais importantes biomas brasileiros para a pecuária, entre os períodos de 1º de agosto de 2022 e 31 de julho de 2025: 50% na Amazônia e 35% no Cerrado. Os dados são do Prodes (Programa de Monitoramento dos Desmatamentos do INPE).

Isso significa que foi evitado o desmatamento de quase 2 milhões de hectares, o que representa, conservadoramente, 730 milhões de toneladas de CO2 equivalente, número superior ao que agropecuária brasileira emitiu em 2022 (622 m.tCO2e), segundo o inventário brasileiro de emissões. Também equivale à emissão da França e da Espanha, somadas, no mesmo ano.

Em relação aos incêndios florestais, em comparação com a média dos últimos oito anos, a redução, em 2025, foi de mais de 95% no Pantanal e superior a 75% na Amazônia.

Na íntegra deste artigo publicado no Anuário DBO, você também confere: 

  • Tabela com histórico de redução de área queimada em todos os biomas.

  • O cálculo da CNA sobre o total de prejuízo financeiro causado pelos incêndios e a parcela de perdas relacionadas às pastagens afetadas.

  • O mapa apontado pelo governo para o desmatamento zero.

  • Propostas para que a pecuária deixe de ser um dos principais vetores de desmatamento e de emissão de gases do efeito estufa.

Artigo assinado por André Rodolfo de Lima – Secretário extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial, do Ministério do Meio Ambiente. É advogado de formação, mestre em gestão e política ambiental e ex-secretário de Meio Ambiente do DF.

Fonte: DBO

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