Cotação do feijão carioca renova máxima histórica em março com quebra de safra
A escassez do grão no mercado físico eleva as médias de comercialização. Dificuldades na colheita e redução de área no Paraná garantem margens altas para quem tem produto armazenado.
A matemática do campo trouxe um respiro financeiro expressivo para quem apostou nas leguminosas nesta temporada. A cotação do feijão carioca atingiu um novo ápice e renovou a máxima da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Esse movimento agressivo de alta traduz a escassez de produto disponível nas principais praças agrícolas do país.
A valorização recompensa diretamente o produtor que conseguiu contornar as adversidades na roça. A escalada dos valores reflete as dificuldades operacionais de quem enfrenta condições climáticas irregulares na hora de tirar a safra da terra. Como resultado, a expectativa de uma produção mais enxuta no Paraná consolida um piso de remuneração bastante elevado.
A janela atual exige extrema agilidade comercial para blindar os ganhos da fazenda. O momento de liquidez aquecida favorece o agricultor que precisa pagar insumos com safra. Dessa forma, é possível travar os custos da próxima temporada e manter o caixa da propriedade protegido contra futuras oscilações do mercado atacadista.
Restrição de oferta garante a rentabilidade do produtor
A dinâmica de negócios no primeiro trimestre revela um salto formidável na atratividade da cultura. O levantamento do Cepea indica que o valor médio de março para o tipo rajado de notas 9 ou superiores ficou exatos 8,3% acima do registrado no mês anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a valorização representa expressivos 34% de alta. O acumulado do trimestre, portanto, aponta uma disparada de 48,3%.
Os lotes com padrão visual intermediário também surfam nessa onda de negociações intensas. Para a mercadoria de notas 8 e 8,5, a média deste mês supera a de fevereiro em 7,1%. No intervalo de doze meses, o avanço bate a marca de 42,2%. A indústria corre contra o tempo para reabastecer as gôndolas do varejo, aceitando pagar prêmios maiores mesmo por sacarias que apresentem ligeiro escurecimento da casca.
Variedade preta acompanha o ritmo de valorização
Ainda que os holofotes do mercado recaiam sobre o grão principal, o tipo preto também entrega resultados financeiros consistentes. A média comercial de março registra um avanço tímido de 0,11% frente ao mês passado e de apenas 0,4% no comparativo anual. Contudo, o acumulado dos últimos três meses confirma uma recuperação significativa de 32,2%.