Boi gordo: queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos deixa preços com direção indefinida
Pecuaristas seguem sustentando as referências, enquanto os compradores optam pela cautela nas compras de boiadas gordas
O mercado físico do boi gordo atravessa um momento de indefinição, em meio a uma queda de braço entre as indústrias frigoríficas e pecuaristas, informa a equipe de analistas da Agrifatto.
“Até aqui, os produtores seguem sustentando as referências, mesmo com o aumento da cautela dos compradores nas últimas semanas”, relata a consultoria.
Os analistas citam alguns pontos de atenção, como a proximidade do encerramento da cota chinesa de importação, previsto para meados deste mês e a possibilidade de suspensão dos embarques para a União Europeia (UE) a partir de 3 de setembro, além do acirramento das tensões comerciais entre Brasil e EUA, após a proposta norte-americana de impor uma tarifa adicional de 25% sobre alguns produtos brasileiros (a carne bovina ficou de fora da lista).
Pelos dados da Agrifatto, nesta terça-feira (9/6), o boi gordo ficou estável na praça de São Paulo, cotado em R$ 345/@ (padrão “comum”) e R$ 355/@ (“animal-China”), no prazo.
Porém, das 17 regiões monitoradas, a consultoria identificou valorização em 3 delas (Espírito Santo, Maranhã e Rondônia), e queda diária em duas praças (Alagoas e Bahia).
Segundo os dados levantados pela Scot Consultoria, no mercado paulista, o boi gordo destinado ao mercado interno segue valendo R$ 349/@, enquanto o “boi-China vale R$ 355/@ (preços brutos, no prazo).
Analistas da Scot informam que, neste momento, as indústrias de São Paulo compram apenas para manter as escalas de abate, e os produtores ofertam lotes de forma controlada.
Contudo, diz a consultoria, a queda da temperatura acende um alerta e pode condicionar o aumento da oferta de boiadas gordas. “O cenário é de equilíbrio”, enfatiza a Scot.
No mercado futuro, os contratos do boi gordo fecharam o pregão de segunda-feira (8/6) em leve baixa.
O papel com vencimento em agosto/26 liderou as perdas, encerrando o pregão a R$ 341,45/@, com recuo de 0,35% no comparativo diário.