A dependência dos fertilizantes importados segue como um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o que expõe o produtor a oscilações cambiais e custos logísticos que afetam as redes globais de suprimentos.
Nesse cenário, cresce a busca por tecnologias nacionais capazes de reduzir essa vulnerabilidade e é nesse movimento que os bioinsumos ganham protagonismo.
Os números de 2026 ajudam a explicar a urgência do tema. De acordo com o Comex Stat, no primeiro semestre de 2026, a importação de fertilizantes pelo Brasil diminuiu, reduzindo-se a 18,30 milhões de toneladas; o número registrado no mesmo período de 2025 é de 19,44, indicando que decresceu, em um ano, 5,9%. Já o preço médio das matérias-primas importadas ficou em US$ 383,8 por tonelada, 16,8% acima da primeira metade de 2025, o maior patamar para o período desde 2023. Ou seja, compramos menos por um valor maior.
Vários fatores podem explicar a motivação dessa disparidade entre volume de mercadoria e aumento de valor desta. O primeiro e principal gatilho para tanto existe devido ao conflito no Estreito de Ormuz entre Irã e EUA, elevando o preço da ureia no porto brasileiro em até 50% em até 30 dias em certos momentos de 2026. A China fora do mercado de fosfatados também é algo que recrudesce o cenário. E, por fim, outra razão para que os valores aumentem em detrimento da quantidade ofertada é a Guerra da Ucrânia, que forçou a Rússia a restringir a sua produção de defensivos líquidos que exporta para o Brasil.
A pressão é ainda mais nítida nos nitrogenados: o Banco Mundial levantou o dado que no segundo trimestre de 2026, a ureia atingiu média de U$ 693,5 por toneladas, ante US$ 199,3 na média de 2016, uma alta real expressiva mesmo descontada a inflação, com base no cálculo do CPI-U, índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos.
Diante desse quadro, o mercado brasileiro de bioinsumos consolidou-se como alternativa estratégica. O setor movimentou R$ 6,2 bilhões no último ano, segundo dados da CropData e da CropLife Brasil, e tem um atributo decisivo diante da dependência externa: cerca de 85% dos bioinsumos utilizados nas lavouras brasileiras são fabricados por empresas instaladas no próprio país, o que reduz a exposição cambial e a dependência das cadeias internacionais de suprimento.
O especialista em bioinsumos, Fellipe Parreira, Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro, alerta que, ainda que tenham um papel fundamental nessa nova realidade, os bioinsumos não substituem o papel dos fertilizantes: “Os bioinsumos são aliados valiosos na otimização de nutrientes e no controle biológico, mas substituir completamente os fertilizantes minerais seria um risco inaceitável para a escala da nossa agroindústria, que depende de precisão e volume para competir globalmente“.
Conclui-se que a alta dos importados e as incertezas nas rotas globais mostram que o produtor precisa de alternativas produzidas aqui. Os bioinsumos não substituem toda a adubação, mas melhoram a eficiência do que já se aplica, atuando na biologia do solo para que a planta aproveite melhor os nutrientes disponíveis.
Fonte: ioeste
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