Alta dos juros é apontado como principal fator para avanço de consórcios no agronegócio
Impulsionado pelo custo do crédito tradicional, o consórcio se consolida como alternativa para pequenos e médios produtores investirem na modernização da frota agrícola com planejamento financeiro
O aumento do custo do crédito rural e a necessidade constante de investir em produtividade têm impulsionado o consórcio como uma das principais alternativas para pequenos e médios produtores rurais adquirirem tratores, colheitadeiras, implementos e outros equipamentos agrícolas. A avaliação é da Multimarcas Consórcios, que observa uma mudança no perfil do produtor, cada vez mais voltado ao planejamento financeiro e à busca por soluções que reduzam o impacto dos juros sobre os investimentos no campo.
A tendência é confirmada pelos números da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O segmento de máquinas agrícolas reúne atualmente 463,3 mil participantes ativos, crescimento de 2,9% em relação ao ano anterior. Apenas entre janeiro e abril deste ano, foram disponibilizados R$ 4,36 bilhões em créditos, alta de 15% na comparação com o mesmo período de 2025, demonstrando que mais produtores estão utilizando o consórcio para renovar seus maquinários e ampliar a capacidade produtiva.
Segundo Guilherme Lamounier, gerente nacional de vendas da Multimarcas Consórcios, o cenário reforça uma mudança que já vinha sendo observada pela empresa desde o ano passado e que se intensificou diante das condições do mercado de crédito.
“Os juros elevados fizeram com que muitos produtores reavaliassem a forma de investir. Hoje, o consórcio deixou de ser apenas uma alternativa e passou a fazer parte do planejamento financeiro de muitos pequenos e médios produtores. Eles conseguem programar a renovação da frota, preservar o capital de giro da propriedade e investir sem os custos do financiamento tradicional”, afirma.
Para Lamounier, o crescimento da modalidade está diretamente ligado ao papel estratégico que a mecanização exerce na competitividade do agronegócio. “O produtor precisa investir continuamente em tecnologia para aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais e ganhar eficiência. O consórcio permite que esse investimento aconteça de forma planejada, respeitando o fluxo de caixa da atividade rural e oferecendo mais previsibilidade para quem administra o negócio“, explica.
Os dados da ABAC também mostram que as máquinas agrícolas já representam 51% de todo o segmento de consórcios de veículos pesados, superando os caminhões. Outro indicador relevante é o perfil dos participantes: aproximadamente dois terços dos consorciados são pessoas físicas, público formado majoritariamente por pequenos e médios produtores rurais, o que evidencia a importância da modalidade para ampliar o acesso à mecanização no campo.
Embora o início de 2026 tenha registrado uma desaceleração na comercialização de novas cotas, reflexo da cautela do mercado diante do cenário econômico, a Multimarcas avalia que o aumento do volume de créditos disponibilizados demonstra a maturidade do setor e a consolidação do consórcio como uma ferramenta de investimento de longo prazo.
“O produtor rural está cada vez mais consciente de que planejamento também é um diferencial competitivo. Quem consegue organizar seus investimentos com antecedência reduz riscos, preserva recursos para a operação e mantém a propriedade preparada para crescer. O consórcio atende exatamente essa necessidade e, por isso, deve continuar ampliando sua participação no agronegócio brasileiro”, conclui Lamounier.