20 abr de 2026
Boi gordo fecha a 1ª metade de abril com valorização de R$ 10,30/@ em SP

Cotação paulista saltou de R$ 355,97/@, em 31 de maio, para 366,27/@, em 15 de abril (indicador Datagro); no período, foram 7 renovações de recorde nominal de preço.

Como bem lembrou o analista Raphael Galo, colunista fixo do boletim Boi & Companhia, da Scot Consultoria, o mês de abril finalizou a primeira quinzena – foram 10 dias úteis – com surpreendente valorização de R$ 10,30/@ (ou +2,9%) no preço físico do boi gordo negociado em São Paulo, saltando de R$ 355,97/@, em 31/5, para 366,27/@, em 15/4 (indicador Datagro).

Dentro do período de 10 dias úteis, calcula Galo, foram registradas sete renovações de recorde nominal nos preços da arroba paulista.

Segundo apuração do zootecnista Felipe Fabbri, analista da Scot, no interior de São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação fechou a sexta-feira (17/4) apregoado em R$ 365/@, enquanto o “boi-China” segue cotado em R$ 370/@.

“Mantemos nossa visão de um mercado, ao menos para o restante do mês, comprador e com poucos sinais de desaceleração”, prevê Fabbri, acrescentando: “A oferta de boiadas está mais comedida e os dados parciais de exportação para abril indicam ritmo forte e a possibilidade de, mais uma vez, recorde mensal”.

Fabbri lembra que, durante a semana, o mercado brasileiro do boi gordo conviveu com alguns fundamentos de baixa, mas, mesmo assim, os preços físicos da arroba seguiram firmes, em ritmo de alta – diferentemente do mercado futuro, que acabou recuando, “contaminado” pelo noticiário negativo ao setor.

O analista cita, primeiramente, o comentário de Roberto Perosa, presidente da Abiec, no Encontro de Confinamento e Recriadores, da Scot Consultoria, de que a cota chinesa (medida de salvaguarda) deve ser preenchida até a primeira quinzena de maio/26.

Na sequência, diz Fabbri,  houve atualizações das projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, em inglês) para a produção global de carnes.

Para o mercado brasileiro, o USDA elevou a estimativa de abates e de oferta de carne bovina em relação às projeções de dezembro/25, além de também ajustar positivamente a projeção de exportação.

Além disso,  afirma o analista, o mercado recebeu notícias de que, diante da atual dificuldade de compras de boiadas gordas, algumas unidades frigoríficas em Mato Grosso optaram pelas férias coletivas, com a possibilidade de outras plantas ao redor do Brasil seguirem o movimento.

Soma-se a isso a notícia da suspensão temporária dos embarques à China de um frigorífico de Mato Grosso, condicionada a questões sanitárias, relata Fabbri. “Juntos, estes fatos mexeram com o ânimo no mercado futuro”, diz o analista.

Segundo dados levantados por Raphael Galo, no início de abril, o mercado futuro indicava um ágio em relação ao mercado “spot” (físico) de R$ 8,92/@.

No entanto, calcula Galo, esses ganhos foram  rapidamente corroídos e se transformaram em deságio de -R$ 3,72/@ no fechamento da primeira quinzena.

Febre aftosa na China

Entre as tantas notícias “baixistas”, o analista Felipe Fabbri citou a recente confirmação de contaminação por febre aftosa no rebanho da China como um fator “favorável” ao mercado pecuário brasileiro.

Trata-se de uma cepa africana (SAT1), sem vacina eficaz e com riscos ao rebanho local – a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH, em inglês) emitiu alerta quanto à ameaça do vírus.

“É difícil tratarmos um surto sanitário como um quadro favorável, mas, levando em consideração os desafios impostos pela peste suína africana em um passado não muito distante, o quadro merece atenção e pode levar a uma revisão do mercado local quanto à política de salvaguarda”, observa Fabbri.

Fonte: Portal DBO

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