Tecnologia e Inteligência Artificial no Agronegócio: Desafios e Oportunidades para a Força de TrabalhoPor Paulo Vitor Rodrigues, Líder de Agronegócios, Alimentos e Bebidas para a América Latina na Aon e Gustavo Tavares, Head of Talent para o Brasil na AonResponsável por 27% do PIB brasileiro em 2024, o agronegócio está passando por uma revolução impulsionada pela tecnologia e pela inteligência artificial (IA). A adoção de máquinas autônomas, sensores IoT e algoritmos preditivos tem melhorado o desempenho das operações, proporcionando benefícios claros: aumento da produtividade em até 20% e redução de perdas por eventos climáticos e pragas em até 30%, conforme dados da Embrapa.No entanto, essa realidade traz um novo desafio crítico: a transformação do perfil da força de trabalho. Atualmente, apenas 32% das empresas do setor relatam ter superado o gap de habilidades necessárias para operar essas tecnologias, conforme apontou a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) em 2024.Isso porque, com a implementação de novas tecnologias, surgem carreiras especializadas, como pilotos de drones e operadores remotos de máquinas e sensores, exigindo habilidades avançadas e conhecimento em tecnologia da informação, uma mudança que reforça a necessidade de qualificação contínua por parte da força de trabalho. O uso de plataformas de gestão de talentos com aplicação de IA também pode apoiar as empresas no mapeamento de gaps críticos, garantindo uma equipe preparada para os desafios do setor.O retorno é claro: empresas que investem em inteligência artificial relatam redução de custos operacionais em 15 a 25%. No entanto, a concorrência por profissionais qualificados é acirrada: 41% das empresas relataram dificuldade em contratar especialistas em IA aplicada ao agro, segundo a ABAG.A entrada da Geração Z no mercado traz ainda demandas inéditas para o setor: 76% dos jovens profissionais priorizam empresas com práticas ESG tangíveis (FGV, 2024), e 68% exigem modelos híbridos de trabalho (Gartner, 2023). A retenção de talentos é um desafio crítico, com um turnover de 18,7% no mercado em 2023, acima da média nacional de 14,2% (Dieese). Além disso, a equidade de gênero permanece um desafio, com apenas 12% das mulheres ocupando cargos de liderança na indústria (IBGE, 2024).Para enfrentar esses desafios, além da capacitação contínua, as empresas devem priorizar investimentos em modelos de remuneração variável, atrelados a metas de inovação e sustentabilidade. Uma cultura inclusiva também é um diferencial, com empresas diversas tendo 19% mais chances de superar benchmarks de rentabilidade (McKinsey, 2023). Parcerias estratégicas com consultorias especializadas podem oferecer diagnósticos customizados para mapear riscos psicossociais e desenhar planos de carreira alinhados às expectativas da nova geração.O futuro das empresas bem-sucedidas no agronegócio dependerá da sinergia entre tecnologia e capital humano. Para líderes de RH e Finanças, a prioridade é clara: construir organizações onde dados e pessoas coexistam em um ciclo virtuoso de inovação. Companhias que equilibrarem investimentos em IA com políticas de gestão humanizada, não apenas sobreviverão às disrupções, mas liderarão a próxima década do agro global, pois terão uma força de trabalho muito mais resiliente. A jornada para uma força de trabalho futura requer diagnósticos precisos e estratégias personalizadas. O sucesso está na integração de três pilares: tecnologia, propósito e equidade.Sobre a Aon Siga a Aon no LinkedIn, X, Facebook e Instagram. Mantenha-se atualizado acessando a Aon newsroom e se inscreva aqui para receber alertas de notícias. Fonte: Aon |