17 jul de 2026
Colorau além do tempero: conheça a planta brasileira mais usada pela indústria para dar cor aos alimentos

IAC-APTA amplia produtividade e qualidade de variedades de urucum, enquanto ITAL otimiza processos industriais

Você provavelmente já usou colorau para temperar um frango ou dar mais cor ao arroz. Mas o que pouca gente sabe é que o ingrediente presente na cozinha brasileira tem origem em uma planta nativa da Amazônia que está presente em muito mais produtos do que se imagina: o urucum.

Matéria-prima do colorífico, nome técnico do condimento conhecido como colorau, o urucum fornece um pigmento vermelho chamado bixina, o corante natural mais utilizado pela indústria de alimentos. Queijos, salsichas, linguiças, balas, doces, sorvetes, bebidas e diversos outros produtos recebem a coloração característica graças às sementes dessa planta. Fora da alimentação, a bixina também é utilizada na fabricação de vernizes, batons, blushes e em outras aplicações industriais.

Com o início da safra principal, entre os meses de junho e agosto, o produtor rural recebe atualmente entre R$ 12,50 e R$ 13,00 por quilo das sementes. Em algumas variedades, como o urucum-anão, ainda é possível colher uma segunda safra entre dezembro e março, dependendo da época de plantio e do manejo da lavoura.

Segundo a pesquisadora Eliane Fabri, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o cultivo da planta exige planejamento desde o início. “O urucum é uma planta perene e a recomendação é que o plantio das mudas seja realizado entre a primavera e o verão, durante o período chuvoso. Dessa forma, a lavoura se estabelece naturalmente, sem necessidade de irrigação no momento do plantio”, explica.

Embora seja uma espécie nativa da região Amazônica, o urucum se adaptou muito bem às condições paulistas. Hoje, SP é o maior produtor nacional, e o Brasil ocupa a liderança mundial na produção da cultura. A principal região produtora paulista está na Nova Alta Paulista, abrangendo municípios entre Tupã e Panorama, com destaque para São João do Pau D’Alho, Monte Castelo, Tupi Paulista e Irapuru, onde a cultura movimenta a economia agrícola local.

Pesquisa especializada amplia aplicações

Muito antes de chegar às indústrias e aos supermercados, o urucum passa pelo trabalho silencioso da pesquisa científica. Desde a década de 1980, o IAC desenvolve pesquisas para melhorar a cultura, e dez anos depois o Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL-APTA) passou a atuar para ampliar as possibilidades de aplicação da matéria-prima e aprimorar qualidade, segurança e sustentabilidade dos produtos.

Como resultado, o IAC mantém o maior banco de germoplasma de urucum do mundo, com 378 genótipos cadastrados, um patrimônio genético fundamental para o desenvolvimento de novas variedades. Já o pesquisador Paulo Carvalho, do ITAL, publicou dois livros trilíngues dedicados à cultura, sendo que Urucum: uma semente com a história do Brasil se tornou referência nacional e internacional sobre aspectos históricos, agronômicos e tecnológicos dessa planta nativa brasileira, enquanto Urucum: Além do poder corante se aprofunda nos seus efeitos fitoterápicos.

No IAC, os pesquisadores selecionam plantas capazes de produzir mais sementes, com maiores concentrações de bixina e maior resistência às doenças que afetam a cultura, especialmente o oídio. Também conduzem pesquisas sobre espaçamento entre plantas, manejo da lavoura, adaptação de novos materiais às diferentes regiões produtoras e aspectos básicos da genética e da botânica da espécie. No ITAL, o foco está na otimização de processos em indústrias de corantes e o desenvolvimento de novas tecnologias, como o fracionamento do óleo de urucum para separação de frações fitoterápicas.

Graças à dedicação do corpo técnico da APTA, o potencial do urucum tem se expandido para além da produção de corante, com a identificação de compostos bioativos, como tocotrienois e geranilgeraniol, substâncias de interesse para as áreas farmacêutica e de saúde, e o desenvolvimento de programas de seleção visando aumentar sua concentração nas plantas.

Para Eliane Fabri, ainda há muito espaço para o avanço das pesquisas. “A maior demanda dos produtores é obter plantas que combinem porte baixo, alta produtividade e elevado teor de bixina. Esse continua sendo o principal foco do nosso trabalho, sem deixar de lado as pesquisas básicas, fundamentais para compreender melhor a planta e permitir novos avanços no melhoramento genético”, detalha.

Fonte: ioeste

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