Dia da Juventude Rural, celebrado em 15 de julho, reforça debate sobre conexão dos adolescentes com o campo
Com cerca de 7,1 milhões de jovens vivendo em áreas rurais no Brasil, histórias acompanhadas pelo Instituto Crescer Legal mostram como a nova geração pode ampliar perspectivas de desenvolvimento em suas próprias comunidades
Julho de 2026 – O Dia da Juventude Rural, celebrado em 15 de julho, reacende uma discussão estratégica para o futuro do país: como criar condições para que jovens do campo encontrem oportunidades de estudo, trabalho, renda e realização profissional sem precisar romper seus vínculos com o meio rural.
No Brasil, cerca de 7,1 milhões de jovens de 15 a 29 anos vivem em áreas rurais, segundo dados do IBGE de 2022. Embora o campo siga sendo um espaço essencial para a economia, a produção de alimentos, a geração de renda e a preservação de modos de vida, a permanência das novas gerações ainda depende de fatores que vão além da tradição familiar. Acesso à educação, conectividade, qualificação profissional, renda, mobilidade e perspectiva de futuro estão entre os pontos que influenciam diretamente nas escolhas desses jovens.
Criado em 2015, o Instituto Crescer Legal atua com aprendizagem profissional rural para adolescentes do campo em municípios da Região Sul. A proposta combina educação, cidadania, gestão rural, empreendedorismo e projeto de vida, contribuindo para que jovens ampliem suas perspectivas sobre o futuro e identifiquem oportunidades em suas comunidades.
Uma pesquisa de impacto realizada pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), em 2025, reforça esse potencial transformador. Segundo o estudo, 80% dos egressos do curso de Gestão Rural e Empreendedorismo do Instituto Crescer Legal ampliaram seus conhecimentos em gestão rural e empreendedorismo, 74% aumentaram suas redes de relacionamento e 72% passaram a identificar novas oportunidades profissionais. O levantamento também mostrou que 49% demonstraram maior interesse em permanecer no meio rural e 48% passaram a ter maior disposição para a sucessão familiar.
Mais do que discutir apenas sucessão familiar, a data abre espaço para olhar para uma nova geração rural que tem buscado diferentes caminhos para permanecer conectada ao campo. Em muitos casos, os jovens não necessariamente seguem a mesma atividade dos pais, mas passam a enxergar em suas comunidades possibilidades de empreender, estudar, inovar, diversificar a renda e fortalecer o desenvolvimento local.
As histórias de jovens do Paraná e de Santa Catarina acompanhados pelo Instituto Crescer Legal, iniciativa do SindiTabaco e de suas empresas associadas voltada à aprendizagem profissional rural para adolescentes do campo, mostram como esse processo vem ganhando novas formas.
Em Itaiópolis, Santa Catarina, Beatriz Max, egressa da turma de 2024, encontrou na formação ferramentas para transformar uma ideia em uma iniciativa concreta na propriedade da família. Ao longo do curso, aprofundou seus conhecimentos sobre gestão, inovação e desenvolvimento rural e percebeu que a implantação de um sistema de energia solar poderia tornar a propriedade mais eficiente e sustentável. Após concluir a formação, participou, como egressa, do Programa Novos Rurais, desenvolvido pelo Instituto BAT Brasil em parceria com o Instituto Crescer Legal, e elaborou um projeto voltado à propriedade familiar. Contemplada com recursos para sua implementação, instalou placas solares no local. Atualmente, cursa Pedagogia e segue contribuindo com as atividades da família, conciliando a formação acadêmica com sua atuação no meio rural.
Em São João do Triunfo, no Paraná, Murilo Chaves, egresso do Programa de Aprendizagem Profissional Rural do Instituto, transformou uma ideia desenvolvida durante sua formação em um projeto concreto de trabalho. Inspirado pelo espírito empreendedor da mãe e pela valorização do meio rural, ele estruturou um plano para atuar no ramo da barbearia levando o serviço para comunidades rurais. Depois de concluir o curso, abriu seu próprio espaço de atendimento e também passou a prestar serviços em outra localidade rural, ampliando seu alcance e contribuindo para a geração de renda na comunidade onde vive.
Em Itaiópolis, Santa Catarina, Lauani de Fátima Dolla passou a enxergar novas possibilidades de futuro a partir da valorização da própria história familiar. Durante sua participação no programa de aprendizagem, ela ampliou seu olhar sobre o trabalho desenvolvido pela família e fortaleceu o sentimento de pertencimento ao campo. Atualmente, participa do programa Nós por Elas – A Voz Feminina do Campo, onde pretende aprofundar suas reflexões sobre protagonismo feminino. Inspirada pelo pai, agricultor e caminhoneiro, Lauani passou a visualizar seu futuro dando continuidade ao legado familiar, inclusive considerando a profissão de caminhoneira sem abrir mão da conexão com o meio rural.
Em São João do Triunfo, Luís Fernando Gordia transformou seu interesse pela informática em uma oportunidade de atuação profissional e geração de renda. Durante o curso, identificou a necessidade de ampliar a oferta de serviços de tecnologia nas comunidades rurais, especialmente, para apoiar produtores na emissão de notas fiscais eletrônicas, na utilização de sistemas digitais e em outras demandas relacionadas à informatização. Como projeto final, desenvolveu uma proposta de prestação de serviços de assistência técnica em informática e, após concluir a formação, iniciou sua atuação de forma autônoma. Atualmente, continua residindo no interior do município, atende clientes particulares, mantém parcerias com empresas e presta serviços também em cidades vizinhas. Além disso, utiliza as redes sociais para divulgar seu trabalho e investe continuamente em qualificação profissional.
Para Nádia Fengler Solf, gerente do Instituto Crescer Legal, essas trajetórias mostram que a permanência dos jovens no campo precisa ser entendida de maneira mais ampla. “Quando falamos em juventude rural, não estamos tratando apenas de sucessão familiar e de futuros agricultores. Estamos falando de jovens que precisam ter acesso à educação contextualizada, formação profissional, repertório e oportunidades para decidir o próprio futuro. Identificar as necessidades de suas comunidades e reconhecer caminhos em que possam buscar e promover melhorias naquelas comunidades rurais, proporcionando que outros jovens também decidam permanecer com cada vez mais qualidade de vida. O campo pode ser um espaço de permanência, de inovação, de empreendedorismo e de realização, desde que esses jovens sejam vistos como protagonistas”, afirma.
O Dia da Juventude Rural reforça a necessidade de reconhecer os jovens como parte central das discussões sobre o presente e o futuro do campo brasileiro. A permanência no meio rural não depende apenas de tradição, mas de acesso à educação, renda, conectividade, reconhecimento e oportunidades concretas. “Quando as novas gerações têm acesso à formação e conseguem enxergar possibilidades reais em suas comunidades, o campo passa a ser também uma escolha de vida”, conclui Nádia.
Sobre o Instituto Crescer Legal
Iniciativa do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e de suas empresas associadas, o Instituto Crescer Legal tem sede em Santa Cruz do Sul (RS) e atua em 25 municípios dos três estados do Sul do Brasil, consolidando-se como pioneiro na aprendizagem profissional rural. Saiba mais em www.crescerlegal.com.br