Escassez de boiadas garante preços altos a pecuaristas, que seguem no comando dos negócios
Mesmo com preços mais altos alcançados no decorrer desta semana, o volume de lotes negociados segue insuficiente para alongar as escalas de abate
Os preços do boi gordo fecharam a semana com estabilidade nas principais praças brasileiras, mantendo o viés de alta que levou a arroba ao patamar de R$ 370/@ em São Paulo, informam as consultorias que acompanham diariamente os negócios no setor pecuário.
“No curto prazo, o mercado seguirá sustentado pela firmeza da demanda, especialmente externa, e pela dificuldade de reposição por parte das indústrias frigoríficas”, resume a Agrifatto.
Mesmo com preços mais altos alcançados no decorrer desta semana, o volume de lotes negociados segue insuficiente para alongar as escalas de abate, que permanecem, na média nacional, entre 5 e 6 dias úteis, informa a consultoria.
“A dificuldade da indústria em compor suas programações reflete a menor disponibilidade de boiadas prontas e a postura firme dos pecuaristas, seja pela escassez de gado acabado, seja por estratégia de retenção”, analisa a Agrifatto.
Com isso, muitos frigoríficos brasileiros operam com escalas ajustadas, reduzindo o ritmo de abate. “Há casos de adoção temporária de férias coletivas”, relata a Agrifatto, acrescentando que há registro de pelo menos 6 plantas importantes paralisadas em diferentes Estados.
Dados da Scot
Pelo levantamento da Scot Consultoria, com método de apuração diferente do aplicado pela Agrifatto, nesta sexta-feira (10/4), após o registro de valorizações em São Paulo para as cotações dos machos na quinta-feira (9/4), a semana terminou avanços para os preços das fêmeas terminadas.
“A oferta está restrita, principalmente de boiada terminada a pasto, com a maior parte do volume disponível sendo de cocho”, observa a Scot.
O cenário dificulta a formação das escalas pelos frigoríficos, que estão, em média, em sete dias, em São Paulo, acrescenta a consultoria.
Pelos dados da Scot, nesta sexta-feira, o boi gordo sem padrão-exportação e “boi-China” permaneceram cotados em R$ 365/@ e R$ 365/@ no mercado paulista, respectivamente, enquanto a cotação da vaca e da novilha gordas subiram R$ 2/@ e R$ 2/@, apregoadas em R$ 332/@ e R$ 345/@, respectivamente (valores brutos, no prazo).