19 jun de 2026
Manejo do bicudo da cana reúne especialistas na Nexfera – Edição Sphenophorus

Movimento impulsionado pelo CTC lança Guia de Boas Práticas de manejo e a Rede Colaborativa de Experimentação para acelerar a geração de conhecimento sobre Sphenophorus

Ribeirão Preto (SP), 18 de junho de 2026 – Considerado um dos principais desafios dos canaviais brasileiros, o manejo de Sphenophorus levis, conhecido como bicudo da cana, foi o tema central da Nexfera, encontro que reuniu pesquisadores, consultores, usinas, fornecedores e especialistas do setor sucroenergético nesta quinta-feira, em Ribeirão Preto (SP).

“O objetivo da Nexfera é conectar ciência e campo, experiência e tecnologia, conhecimento e prática para resolver os grandes problemas da cana. Estamos promovendo discussões robustas e trazendo mais dados, pesquisas de mercado e protocolos de manejo”, disse Suzeti Ferreira, diretora de Marketing do CTC, na abertura do encontro.

No encontro em Ribeirão Preto, foram lançadas a Rede Experimental voltada ao manejo do Sphenophorus levis e oManual de Boas Práticas. A Rede Experimental reúne empresas, especialistas e instituições e tem uma estrutura padronizada para testar hipóteses, validar estratégias de manejo e gerar evidências que apoiem a tomada de decisão no campo.

A Nexfera lançou com exclusividade aos participantes o Guia de Boas Práticas para Manejo de Sphenophorus, documento que consolida o conhecimento mais atual disponível sobre monitoramento e controle da praga. O material reúne experiências de campo, resultados de pesquisas e recomendações de especialistas para apoiar decisões mais assertivas no manejo da praga.

O mestre de cerimônias, Carlos Daniel, gerente de Agronomia do CTC, apresentou os resultados de uma pesquisa sobre a praga realizada numa área de 3,8 milhões de hectares de área colhida, que apontou como principais desafios o levantamento, o monitoramento e a mão de obra.

Especialistas debateram o comportamento da praga, monitoramento, tomada de decisão e estratégias de manejo em cana planta e cana soca, compartilhando resultados de pesquisas, experiências de campo e aprendizados acumulados em diferentes regiões produtoras do país.

Entre os convidados, Evaldo Takizawa, consultor conhecido por sua atuação em estratégias de manejo do bicudo do algodão, compartilhou aprendizados sobre comportamento da praga, monitoramento e construção de programas de manejo de longo prazo.

“O bicudo do algodoeiro é uma escola de aprendizado em manejo de pragas. Há 1,5 milhão de hectares infestado com o Anthonomus Grandis em Mato Grosso. A questão não é ensinar a matar o inseto, mas aprender a interpretar a paisagem agrícola onde ele se multiplica”, disse o consultor.

Leila Dinardo, pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), trouxe contribuições sobre os avanços no entendimento da praga e os desafios que ainda demandam investigação para ampliar a eficiência do manejo. Para ela, é preciso destruir mecanicamente a soqueira infestada e deixar um vazio sanitário longo, de cerca de seis meses. Leila também aconselhou o uso de inseticida no sulco. “Não resolve, mas ajuda”, disse.

Pela visão de campo, Rogério Nascimento, consultor da PlaniAgro, compartilhou experiências práticas acumuladas junto a usinas e produtores, destacando desafios operacionais e a importância da troca de conhecimento entre os diferentes agentes do setor.

Ele disse que a praga é “clima dependente”. “Este ano temos encontrado muitos adultos no campo”, informou o consultor, citando várias ações de manejo, como monitoramento de mudas e plantio reforçado com inseticidas. “Estamos empilhando tecnologias e manejos para vencer esta batalha”, disse Nascimento.

Além dos especialistas convidados, o encontro reuniu representantes de usinas, consultorias, universidades, fornecedores e instituições de pesquisa, reforçando o propósito da Nexfera de promover discussões técnicas qualificadas e fomentar a construção coletiva de conhecimento para o setor sucroenergético.

Participaram do encontro ainda Mario Tittoto Neto (Ipiranga Agroindustrial), Daniel Gualtieri (Usina Cocal), Rodrigo Marques (UFSCar), Vanessa Lorencini (Grupo Santa Adélia),Fernando Pattaro (CTC) e Fernando Iost (SmartMIP).

Sobre a Nexfera

A Nexfera é um movimento impulsionado pelo CTC que conecta os diferentes elos da cadeia sucroenergética para enfrentar desafios que impactam a produtividade da cana-de-açúcar. A iniciativa reúne pesquisadores, especialistas, consultores, usinas e fornecedores para compartilhar conhecimento, gerar aprendizados e acelerar a adoção de soluções baseadas em ciência e experiência de campo.

Sobre o CTC

O CTC – Centro de Tecnologia Canavieira é uma empresa de biotecnologia e inovação, líder global em ciência da cana-de-açúcar. Mantém o maior banco de germoplasma da cultura no mundo, com mais de 6 mil variedades. Em seus laboratórios em Piracicaba (SP) e Saint Louis (Missouri, EUA), desenvolve pesquisas de ponta em melhoramento genético e biotecnologia, oferecendo ao mercado variedades de alta produtividade e resistentes a pragas.
Criado em 1969, o CTC tem contribuído para o avanço tecnológico da canavicultura e para a competitividade do setor sucroenergético, apoiando ganhos de produtividade, a expansão do etanol como biocombustível e o desenvolvimento da bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar.

Fonte: ioeste

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