Dieta energética trouxe maior retorno financeiro
A pesquisa também realizou a análise financeira da produção de embriões a partir dos dois planos alimentares. Os custos de alimentação foram estimados com base no consumo real e nos valores comerciais (preços de julho de 2020) dos ingredientes para formulação das rações, da tonelada de milho para silagem e dos minerais. Também foram incluídos as despesas operacionais (mão de obra, energia elétrica, serviços veterinários e laboratoriais, medicamentos, encargos, entre outros) e os custos para pastagens, baseados nos valores de aluguel mensal de pasto por animal nas fases inicial e de recria.
Três biotécnicas de produção de embriões foram consideradas: embrião fresco produzido por fertilização in vitro (demanda receptoras previamente sincronizadas para receberem embriões após sete dias de cultivo), com orçamentos comerciais de R$ 75 e de R$ 90; embrião vitrificado (requer o congelamento e descongelamento em laboratório, mas confere maiores taxas de prenhez), a R$ 140; e embrião criopreservado para transferência direta (TD) para a receptora, que não necessita de laboratório, a R$ 160.
Para esses três cenários, o custo da alimentação e da mão de obra na dieta PN2 foi maior que no controle (PN1) tanto na estação seca (29%) como na chuvosa (36%). Em média, cada novilha submetida ao PN2 produziu 6,8 embriões, 3,2 a mais que os animais sob o PN1 (3,6), o que acarretou maiores custos de produção de embriões nas três biotécnicas.
Por outro lado, o maior rendimento na produção de embriões pelos animais que receberam a dieta PN2 resultou numa receita média 77% maior que a do grupo controle. A margem bruta no tratamento PN2 durante a recria foi 2,7 vezes maior que a do PN1 para embriões TD, 2,6 vezes maior para embriões vitrificados e 2,1 vezes maior para embriões a fresco. Já a margem líquida do plano alimentar PN2 foi 2,8 (embriões TD), 2,7 (embriões vitrificados) e 2,2 (embriões a fresco) vezes maior que no plano alimentar controle. Na comparação entre as técnicas de produção e processamento de embriões, as maiores margens foram obtidas com a produção de embriões a fresco.

“O resultado da produção de embriões influenciou e foi determinante na obtenção de margens positivas para o plano alimentar de alta energia. Mesmo com maior custo operacional, esse plano alimentar obteve maiores receita, margem bruta e lucro operacional”, observa a pesquisadora Isabel Ferreira, responsável pela análise financeira. “Ainda são necessários estudos que considerem diferentes cenários de preços e identifiquem o ponto de equilíbrio ou ótimo de concentração energética e proteica da dieta, bem como o nível de consumo que confira o maior resultado na produção de embriões por novilhas pré-púberes sem prejudicar o crescimento, a fisiologia animal e, consequentemente, a reprodução”, pondera.
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