09 jun de 2026
Projeto piloto desenvolve métricas para agricultura regenerativa na soja

Unidade agrícola da AMAGGI, em Mato Grosso, integra iniciativa para desenvolver cálculos adaptadas à agricultura tropical e reforçar práticas socioambientais na produção

A pressão por cadeias produtivas mais sustentáveis está levando o agronegócio a avançar para uma nova etapa. Agora é preciso medir os resultados no campo. Com esse objetivo, a AMAGGI passou a integrar, em 2025, o projeto piloto de agricultura regenerativa da Mesa Redonda da Soja Responsável (Round Table on Responsible Soy, RTRS).

A iniciativa é voltada ao desenvolvimento de métricas capazes de mensurar e evidenciar os impactos das práticas na produção de soja, considerando as características e demandas da agricultura tropical.

Na Fazenda Água Quente, unidade agrícola da AMAGGI localizada em Sapezal (MT), o projeto ganhou aplicação prática no campo. A propriedade possui área total de 20.473 hectares, dos quais aproximadamente 15.876 hectares são destinados à produção agrícola, com cultivo de soja, algodão e outras culturas, além de uma equipe formada por 336 colaboradores.

DNA sustentável

A participação da companhia no projeto é resultado de uma trajetória consolidada em sustentabilidade e produção responsável. Nesse percurso, a AMAGGI se tornou a primeira empresa do mundo a conquistar a certificação pelo padrão de produção e cadeia de custódia da RTRS.

Segundo a empresa, essa experiência, somada ao desenvolvimento do próprio protocolo interno de agricultura regenerativa, contribuiu para o reconhecimento de sua expertise no tema e abriu espaço para participação do projeto piloto regenerativo da RTRS.

Em números, na safra 2024/2025, a fazenda produziu mais de 60 mil toneladas de soja certificada pela RTRS EURED, volume direcionado principalmente aos mercados europeu e asiático.

A empresa explica que iniciativas alinhadas às novas exigências e tendências de mercado precisam ser continuamente avaliadas como forma de aprimorar padrões e contribuir para a sustentabilidade da soja. Nesse contexto, a adesão ao projeto piloto ocorreu como uma oportunidade de colaborar com a evolução do tema dentro da instituição, especialmente no desenvolvimento de métricas voltadas à mensuração das práticas agrícolas em sistemas de produção tropical.

Entre as principais iniciativas adotadas estão o plantio direto, o uso de plantas de cobertura, o manejo integrado de pragas (MIP), a aplicação de bioinsumos no cultivo da soja e o uso de tecnologias de agricultura digital e telemetria, que ampliam a eficiência operacional e apoiam a tomada de decisão baseada em dados.

Essas ações fazem parte da Gestão Socioambiental da AMAGGI (GSA), sistema corporativo estruturado que orienta e monitora as operações da companhia, identificando, prevenindo e reduzindo impactos socioambientais, além de promover boas práticas agrícolas, conformidade legal e relacionamento com partes interessadas.

Monitoramento e indicadores fortalecem gestão e resultados

Embora a companhia já adotasse práticas sustentáveis e regenerativas, a participação no projeto permitiu abrir uma nova discussão sobre a tropicalização do acompanhamento dessas ações, fortalecendo o acompanhamento dessas ações, os processos de avaliação e o monitoramento e mensuração de resultados.

Nesse processo, os indicadores utilizados dentro do projeto passaram a trazer uma nova abordagem para as práticas já monitoradas pelo padrão RTRS. Entre os principais pilares da certificação estão critérios ligados às boas práticas agrícolas, como manejo integrado de pragas, uso responsável de defensivos agrícolas, armazenamento e descarte adequados, saúde e segurança do trabalhador, treinamentos e manutenção de registros.

Junto a esses benefícios, destacam-se indicadores relacionados à biodiversidade, conservação do solo, uso racional da água e controle do uso de defensivos. Aliados às práticas regenerativas, esses aspectos contribuem para a melhoria da saúde do solo, o aumento da resiliência dos sistemas produtivos, a redução de impactos ambientais e a geração de benefícios de longo prazo para a produção.

Como resultado, a certificação RTRS contribui para a valorização do produto e para o acesso a mercados mais exigentes ao demonstrar o atendimento a critérios socioambientais reconhecidos internacionalmente e reforçar a produção de uma soja responsável.

No fim do dia, essa abordagem aproxima sustentabilidade e estratégia de negócios, transformando indicadores técnicos em ferramentas capazes de fortalecer a gestão das propriedades e gerar diferenciação em cadeias produtivas cada vez mais exigentes.

Experiência contribuiu para evolução do projeto

De acordo com a gerente Global de Padrões e Assurance da RTRS, Ana Laura Andreani, a participação da Fazenda Água Quente teve papel importante para fortalecer a construção e o aprimoramento do projeto piloto, especialmente ao trazer a experiência prática do campo para a revisão dos critérios e indicadores utilizados.

“A Fazenda Água Quente já possuía uma trajetória consolidada na adoção de práticas regenerativas, e essa experiência contribuiu significativamente para enriquecer o processo de avaliação e revisão do protocolo”, completou a consultora Externa da RTRS e coordenadora do projeto piloto, Helen Estima Lazzari.

Em sua avaliação, o conhecimento técnico e a vivência da equipe da AMAGGI permitiram identificar oportunidades de melhoria nos indicadores utilizados para medir a implementação da agricultura regenerativa, tornando-os mais aderentes às condições reais encontradas no campo.

Essa contribuição foi importante, realçou Ana, para garantir que o protocolo permanecesse conectado à realidade dos produtores e avançasse com maior consistência, credibilidade e relevância.

Sobre a RTRS

Fundada em 2006 em Zurique, na Suíça, a Mesa Global da Soja Responsável (RTRS, na sigla em inglês) é uma associação internacional sem fins lucrativos que estabelece padrões competitivos e confiáveis e desenvolve soluções para promover a produção, o comércio e o uso de soja sustentável.

Como uma mesa redonda global multissetorial, a RTRS atua por meio da cooperação entre os diversos atores da cadeia de valor da soja — da produção ao consumo — oferecendo uma plataforma global de diálogo multilateral sobre soja responsável.

Como provedora de soluções, a RTRS desenvolve padrões de certificação para a produção de soja e para a cadeia de custódia, além de ferramentas como a Plataforma Online — que permite o rastreamento e o registro das certificações RTRS, dos volumes de produção e do material certificado — e a Calculadora de Pegada de Soja e Milho, entre outras ferramentas.

Mais informações: https://responsiblesoy.org/

Fonte: ioeste

Oferecimento:

77 9 9926-6484 / 77 9 9979-1856