19 maio de 2026
Semana abre com arroba estável, mas auge da safra de boi indica continuidade na pressão de baixa

Pelos dados da Agrifatto, o animal sem padrão-exportação segue valendo R$ 345/@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” está valendo R$ 355/@ (no prazo)

Os preços do boi gordo abriram a semana com estabilidade nas principais praças brasileiras, mas, para as próximas semanas, o cenário segue indicando manutenção da pressão de oferta, com o pico da safra de pasto contribuindo para escalas de abate mais confortáveis entre os frigoríficos, informa a Agrifatto.

“O cenário atual é típico do auge da safra do boi gordo; neste período, aumenta a oferta de animais a pasto e diminui a capacidade de retenção por parte dos produtores, principalmente em razão da perda gradual da qualidade das pastagens”, ressalta a consultoria.

Confira as cotações da arroba do boi gordo e do “boi-China”, apuradas no dia 18/5 pela Agrifatto e pela Scot Consultoria; clique AQUI.

Pelos dados da Agrifatto, o animal sem padrão-exportação segue valendo R$ 345/@ no mercado paulista, enquanto o “boi-China” está valendo R$ 355/@ (no prazo).

Segundo apuração da Scot Consultoria, o boi gordo destinado ao mercado interno paulista está cotado em R$ 348/@, enquanto o boi enviado para a China está apregoado em R$ 353/@ (valores brutos, no prazo).

O enfraquecimento do consumo doméstico de carne bovina a partir da segunda quinzena de maio, devido ao esgotamento dos salários recebidos no início do mês, também reforça a pressão baixista sobre o mercado físico do boi gordo.

“O frio e a chuva no fim de semana, somados ao orçamento apertado do consumidor, retraíram o movimento em supermercados e açougues”, informa a Agrifatto.

No atacado de carne com osso, o quadro foi semelhante, continua a consultoria. As entregas de sexta-feira, sábado e da madrugada desta segunda-feira, dizem os analistas, foram fracas e devem seguir assim, refletindo o baixo volume de pedidos de reposição do varejo.

“A perspectiva é de continuidade da desaceleração no fim da quinzena, quando o orçamento familiar mais apertado estimula a migração para proteínas concorrentes mais baratas, como aves, suínos e ovos”, afirma a Agrifatto, acrescentando: “Esse ambiente amplia a possibilidade de novos recuos nos preços da arroba até o encerramento do mês”.

Balanço da última semana

A segunda semana de maio registrou diversos destaques que impactaram o mercado pecuário brasileiro, relembra a Agrifatto.

A semana começou com a China anunciando que o Brasil bateu 50% de sua cota de salvaguarda.

Em seguida, houve o alarme falso sobre uma possível redução de tarifas nos Estados Unidos, anunciada pelo presidente norte-americano, mas rapidamente adiada no dia seguinte.

Na sequência, surgiu a notícia de que a Europa retirará o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina a partir de setembro/26.

“Diante desse ambiente de instabilidade geopolítica, diversos frigoríficos optaram por trabalhar com escalas mais curtas, de no máximo oito dias úteis, receosos de possíveis ajustes negativos no mercado”, observa a Agrifatto.

Nesse contexto, o indicador Datagro da última sexta-feira (15/5) encerrou com queda semanal de 2,23%, fechando em R$ 344,29/@.

Na bolsa B3, o movimento dos preços futuros do boi gordo foi de ajuste negativo para os contratos mais curtos e estabilidade nos vencimentos de médio prazo.

O contrato de maio/26 registrou recuou de 1,45% na sexta-feira, em comparação com a sexta-feira anterior, encerrando a R$ 336,75/@. Por sua vez, o vencimento de junho/26 caiu 0,33%, fechando a semana em R$ 336,55/@.

O contrato de julho/26 apresentou estabilidade semanal, com leve oscilação negativa de 0,06%, terminando em R$ 337,65/@. Por fim, o papel com vencimento em agosto/26 avançou 0,22%, encerrando em R$ 338,10/@.

Ágio negativo

O ágio dos contratos futuros em relação ao mercado físico segue negativo no curto prazo, com perspectiva de equivalência apenas a partir do papel com entrega em setembro/26.

“Esse movimento pode indicar uma expectativa de restrição na oferta, aliada a uma possível retomada das exportações para a China”, acredita a Agrifatto.

O ágio entre B3 e mercado físico até agosto permanece entre R$ 6/@ e R$ 7/@, acrescenta a consultoria.

Fonte: Portal DBO

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